O
Concílio Vaticano II foi sem dúvida alguma um grande marco na Igreja Católica
no século XX. Sua importância foi tão grande, que alguns lhe transferem a
própria personalidade de Cristo e dividem a Igreja e o mundo entre Antes do
CVII e Depois do CVII – se é que o mesmo foi uma ruptura entre duas eras.
A questão
que aqui quero levantar é justamente essa: o Concílio Vaticano II – o real, nos
seus documentos, e não nos achismos e opiniões pessoas e até arbitrárias – foi
uma ruptura com a Tradição da Igreja ou deu sequência a ela?
Existem
duas correntes opostas, mas que são igualmente errôneas: por um lado há os
modernistas liberais que querem deturpar o Evangelho, transformar a Igreja num
Sindicado ou num Circo – estes pregam a ruptura com a Tradição da Igreja. O que
estes pregam é que a Igreja se transformou, pois, segundo eles, o “espírito do
concílio” agora nos leva a um outro pensamento, sem necessidade de doutrinas,
de regras, que a “radicalidade do evangelho” é coisa do passado, que devemos
nos atentar ao humanismo (no contexto equivocado, obviamente) e não a coisas
bobas como a liturgia e penitência. Falam e fazem um monte de asneira, e usam o
Concílio Vaticano II para legitimá-las. Por outro lado, porém, há uma corrente
totalmente oposta, que é dos ultraconservadores. Este grupo de pessoas querem
defender a Tradição da Igreja contra os ataques heréticos dentro da própria
Igreja, porém, causam o mesmo mal, pois ao invés de defender a Tradição da
Igreja em sua plenitude, acabam mutilando a Igreja ao negar o Concílio Vaticano
II. Para entender melhor: os modernistas liberais dizem que o CVII mudou o
ensinamento da Igreja, e, portanto, fazem da Igreja seu circo próprio; já os
ultraconservadores confirmam essa tese, por isso o atacam (o CVII) e também não
querem ligação com praticamente nada pós conciliar pois, segundo eles, tudo não
passa de modernismo. De um lado um bando de loucos que só querem o pós Vaticano
II, negando toda doutrina e riqueza de dois mil anos; de outro, mais um bando
de loucos, que nega o Vaticano II, querendo viver tudo conforme era antes do
mesmo. Deste segundo, surgem correntes cada vez mais doentias, como os chamados
sedevacantistas, que afirmam que nenhum Papa pós conciliar é válido e que até
hoje a Sé está vacante, ou seja, a Igreja não tem Papa.
Nós
estamos no meio de uma guerra de malucos, e cada vez mais você parece ser
pressionado a pular para um lado. Por um lado vemos muita coisa errada ser
feita na Igreja em nome do CVII, parecendo de fato que este contradisse o
ensinamento precedente, fazendo a Igreja estar em apostasia. Este é um dos
motivos que tem feito não poucos jovens a aderirem aos movimentos “rad-trads”
(tradicionais radicais), onde rompem com tudo pós conciliar, dizem que todo
mundo está em heresia, e vivem a chorar porque nem tudo concorre conforme a
vontade própria. Mas, para ser sincero, muitas vezes o coração destes parece
justificado diante dos tamanhos abusos que se vê na Igreja. Para muitos jovens
lhes apresenta somente duas opções: ser um modernista dançando no ritmo da
macumba numa profanação da Missa, ou ser rad-trad e ser um defensor da
tradição.
Defender
a Tradição, lutar pela Verdade, não é ruim. É algo não somente louvável, mas
muito necessário. O problema é que muitas pessoas não fazem uma leitura da
história (e do próprio tempo presente) segundo o Espírito, mas somente numa
perspectiva humana. Sendo assim, para defender a Verdade eterna, acabamos
negando-a. Muitos querem defender a Igreja, negando a autoridade da mesma nos
dias de hoje. Ou nós nos tornamos santos com a Igreja, ou morreremos hereges
achando que somos perseguidos.
O grande
problema da maioria dos modernistas e dos rad-trads é que ambos não se atentam
aos textos do CVII. Entre os hereges liberais e os hereges rad-trads, eu
escolho a via de santidade: eu escolho ser Católico Apostólico Romano. Nós
tivemos grandes santos, dentre os quais São João Paulo II e Santa Teresa de
Calcutá, que viveram neste período pós Conciliar. João Paulo II é um grande exemplo
de defesa da Tradição da Igreja, da Verdade, neste tempo pós Conciliar; afinal,
foi ele que enquanto Papa fez uma terrível guerra contra a Teologia da
Libertação. Há vídeos do mesmo na internet, em visita a América Latina, é
vaiado pelos comunistas – e o mesmo corajosamente defende a verdade.
Meu
desejo não é fazer parte dos opostos que na verdade cometem o mesmo erro, minha
intenção é ser como São João Paulo II, Santa Teresa de Calcutá, São Padre Pio,
São Josemaria Escrivá, além de todos os santos: ser Católico Apostólico Romano.
Se queremos ser católicos, devemos ser como os referidos santos.
Outro dia
mesmo eu assistia um vídeo do Cardeal Burke, onde o mesmo dizia que se houvesse
um cisma na Igreja, ele não faria parte, pois ele é católico romano. Ora, nós
não podemos fazer parte deste cisma: negar o CVII para viver os pecados neste
espírito mundano e depravado em que está nosso século; nem tampouco negar o
mesmo CVII para viver parado no passado. As duas ações fazem um mal grandioso
às almas, afinal, uma as conduz ao pecado, enquanto a outra quando não lhes
tira da comunhão plena com a Igreja, faz normalmente um afrouxamento de
espírito no apostolado, fazendo com que muitas almas se percam por não haver
quem lhes anuncie o Evangelho. Enquanto se quer lutar contra o CVII, o teólogo
de Facebook com mestrado na universidade do “cheirando a leite”, perde energia
que deveria usar para anunciar o Evangelho as famílias de quem nem se quer
conhecem a Cristo. Há vários padres que não vivem em plena comunhão com Roma
por olharem o CVII como uma ruptura, assim ficam afastados, recusando-se a
celebrar a Missa Nova e a ter contato com as paróquias atuais. O resultado é
que temos um padre piedoso na sua liturgia celebrando para poucas pessoas,
afastado de todos, enquanto nas paróquias há não poucos padres que pregam
coisas contrárias a doutrina da Igreja, e não seguem o missal, inventando até
“Missa do côco”, “Missa Afro” com requintes de macumba, etc. Ora, não seria
mais útil às almas ter este padre piedoso celebrando a Missa Nova na Paróquia,
seguindo o Missal, para uma Paróquia, pregando a doutrina da Igreja,
confessando, etc., do que viver pelos cantos chorando por ver o mundo no erro,
enquanto poderia leva-los à Verdade. Bom, mas isso é assunto para outros textos.
Sigamos na proposta deste.
Mas
afinal, o Concílio Vaticano II foi obra do Espírito Santo ou do demônio? Há,
como disse, pessoas que acreditam piamente que o espírito que agiu no CVII não
foi o de Deus. O “espírito do concílio” talvez seja do demônio, afinal, muita
gente defendo os maiores absurdos se valendo do tal “espírito do concílio”. Mas
os documentos do Concílio, sim, foi obra de Deus. E não há como negar isso sem
romper com a Tradição. Mutilar a Tradição da Igreja seria justamente negar um
Concílio da Igreja e chamar Papas, Bispos e Padres de hereges por seguirem o
que a Igreja proclamou em Concílio.
O
problema do Concílio Vaticano II foi a má interpretação (ou má fé mesmo – por
parte de alguns) dos documentos do Concílio. O Papa Emérito Bento XVI quando
renunciou ao pontificado em 2013, antes de deixar a Cátedra de São Pedro, fez
algumas riquíssimas catequeses; dentre as quais, uma sobre o Concílio Vaticano
II tal qual ele viu – afinal, ele foi um dos padres que auxiliaram os Bispos
unidos ao Papa no Concílio. Bento XVI afirmou que houve dois Concílios Vaticano
II: um o real – com os documentos publicados -; o outro, o da mídia – com o que
eles diziam que o concílio fazia. O fato é que enquanto o Concílio proclamava
uma coisa, toda a mídia anunciava não o conteúdo dos documentos, mas sim o tal
“espírito do concílio”, que estava mudando a Igreja, segundo tais noticiários.
E a mídia
aqui, caríssimos, não se limita aos jornais, revistas, rádios e a TV que
começava a se expandir, mas sim aos próprios Seminários da Igreja; pois o
grande ataque à doutrina da Igreja não foi o Concílio, mas sim o ensinamento
que se deu nos Seminários pós conciliares. Como veremos a seguir, se pegarmos
qualquer documento do CVII sobre liturgia, ou sobre a formação do Padre (baseada
em S. Tomás de Aquino), um padre liberal da Teologia da Libertação ficará
trêmulo ao saber que é do Concílio Vaticano II. Tudo o que se vem fazendo de
secularização, chegando-se quase a apostasia em algumas realidades paroquiais,
se deve a este “espírito do Concílio”; enquanto o ensinamento do CVII é
católico e em devida concordância com os demais Concílios que o antecederam.
Podemos
desculpar os católicos da época por terem dado ouvidos à pessoas má
intencionadas; afinal, para se conhecer os documentos da Igreja era necessário
esperar meses por uma publicação física do material. E até distribuir às
dioceses mais afastadas... Porém, nos dias atuais qualquer pessoa tem acesso
aos documentos da Igreja. Se no passado as pessoas dependiam do que os outros
lhe ensinavam sobre o Concílio Vaticano II ou outros pontos doutrinários, hoje,
por sua vez, você e eu podemos, neste exato momento, por causa da internet,
acessar o site do Vaticano e ler os documentos do CVII e demais documentos dos
Sumos Pontífices. Não dá mais para cair no “conto do espírito do concílio”
enquanto TODOS tem acesso aos DOCUMENTOS DO CONCÍLIO.
Sendo
assim, para que todos tenhamos uma saudável leitura dos documentos do CVII, é
importante lembrarmos os fins do mesmo, para que na dúvida em algum ponto do
mesmo, saibamos interpretar segundo a verdade. O Papa São João XXIII afirmou no
discurso de abertura do Concílio Vaticano II: “O que mais importa ao
Concílio Ecumênico é o seguinte: que o depósito sagrado da doutrina cristã seja
guardado e ensinado de forma mais eficaz”. Portanto, caríssimo, cai por terra todo e
qualquer argumento de que o Concílio veio revolucionar o ensinamento da Igreja,
ou fazê-la mais aberta ao mundo renunciando sua doutrina. João XXIII deixou
claro que o que importava ao Concílio é guardar e ensinar o depósito da fé de
dois mil anos. Ora, o CVII não veio negar o CVI, Trento, Éfeso ou qualquer
outro Concílio; mas, em verdade, guardar esta doutrina IMUTÁVEL diante da
modernidade, e buscar meios adequados de ensinar ESTA VERDADE IMUTÁVEL ao mundo
de hoje.
Isso é de grande
importância, afinal, quando algumas pessoas pegam pontos do CVII de maneira
isolada, interpretando-os ao seu gosto, parece que o CVII estaria negando
alguma coisa lá atrás. Enquanto, na verdade, desde seu início o Concílio está
afirmando que guarda todo depósito da sagrada doutrina. O que a Igreja ensina
em doutrina não mudou após o Vaticano II. Continua a mesma fé de sempre. (Nos
textos posteriores entenderão o que quero afirmar com isso, exemplificando com
os textos do CVII).
Se nós
cremos na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, nós não podemos negar de
maneira alguma o CVII e os Papas pós conciliares, sem o risco de estar negando
a própria fé de sempre. Talvez você já esteja lendo na defensiva repetindo
mentalmente o slogan “Mas o Concílio Vaticano II foi pastoral”, para assim
induzir a crença de que há erros no mesmo e/ou de que não tem nenhuma importância
para nós. Para que você compreenda o erro que é negar o CVII, quero que
meditemos em um filósofo grego, Sócrates, quando esteve preso. Em Críton (escrito por Platão) podemos
contemplar o filósofo Sócrates preso em diálogo com seu amigo Critão; este,
pela amizade e pela compaixão de ver um grande filósofo preso próximo à morte,
acaba sugerindo a Sócrates que fuja. Critão já tinha todo um plano feito.
Sócrates, por sua vez, recusa a fuga, meditando que se assim procedesse estaria
atentando contra a Cidade e a Lei, que outrora defendida e assistia; além de
que, ao chegar em outra cidade, além de se tornar estrangeiro, poderia ser
recusado, uma vez que se atentou contra as Leias da Cidade que o acolheu e
educou, quanto mais da estrangeira.
A menção
de Sócrates feita acima parece estranha neste contexto, mas conduz exatamente
com a situação daqueles que negam o CVII: negam a autoridade da Igreja, que
outrora defendia. Sócrates quando atingido pela Lei não fugiu, para não atentar
contra o Estado que tanto defendia; já nós, católicos, não podemos atacar o
CVII sem atacar todo o peso de dois mil anos de história da Santa Igreja.
Para uma
melhor compreensão, vamos aos exemplos. Você passa a vida debatendo com
protestantes sobre a autoridade da Igreja, repete a frase de Santo Agostinho “Roma
locuta, causa finita est” (Roma falou, causa finita). Mas agora, quando Roma
fala pelo Concílio Vaticano II, nós não aceitamos, reclamamos e colocamos em
dúvida a autoridade da Igreja. Você condena Martinho Lutero por ter amputado os
livros bíblicos e fazer uma interpretação pessoal da Bíblia, por negar a
autoridade do Papa, por negar boa parte dos Sacramentos, e fundar uma igreja
paralela (uma outra denominação a parte da Igreja Católica, sob autoridade
humana somente); mas o super rad-trad amputa da Tradição da Igreja o próprio
Concílio Vaticano II, faz uma interpretação totalmente errônea deste Concílio e
de vários outros documentos da Igreja, nega a autoridade do Papa, se recusa a
assistir à Missa Nova (alguns até dizem que a mesma é inválida), e cria-se
pequenas seitas caminhando paralelamente à Igreja, como um movimento específico
que tinha tudo para ser um sopro de graça na Igreja, mas enquanto não estão em
comunhão plena com a Igreja vivem as margens, e seu fundador mais se assemelha
à Lutero.
Não
muitos católicos que estão neste erro do falso tradicionalismo, ao debater com
protestantes, falam da importância do Papa, da Igreja Una, que a Igreja nunca
errou em doutrina na sucessão apostólica, etc. Mas ao atacar o CVII cai em
contradição. Afinal, o que foi o Concílio Vaticano II? Foi uma reunião de
Bispos legítimos do mundo inteiro com um Papa legítimo. O que foi o Concílio
Vaticano I? Idem. O que foi o Concílio de Trento? Ibidem. Ora, todos os
Concílios da Igreja foram Bispos legítimos que em nome de Jesus se reuniram
para, inspirados pelo Espírito Santo, guiar a Igreja de Deus neste mundo
tempestuoso. Se você disser que o CVII não foi do Espírito Santo, colocando-o
em dúvida, automaticamente TODOS os Concílios anteriores entram na mira da
dúvida, afinal, ambos são a mesma coisa: Bispos com o Papa para decidir algo.
Se o Vaticano II é falso, quem me garante a veracidade dos outros? Portanto,
para a fé permanecer inabalável é prudente, é, mais, NECESSÁRIO, aceitar o CVII
– repito, o real dos documentos, não as invenções em nome do mesmo. Não há
maneira de amar e conservar mais a Santa Tradição da Igreja, do que lendo e
aplicando o CVII.
Para
compreendermos que o Espírito que guiou o CVII foi o mesmo que guiou os
anteriores, gostaria de citar alguns trechos das Sagradas Escrituras. Em Mateus
16,16-19 Nosso Senhor diz à São Pedro, nosso primeiro Papa: “Tu és Pedro, e sobe esta pedra edificarei a
minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as
chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e
tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. Ora, vemos a
autoridade do Papa; mas, mais que isso, vemos a promessa de que AS PORTAS DO
INFERNO NUNCA PREVALECERÃO CONTRA A IGREJA CATÓLICA. Isso não quer dizer,
todavia, de que a mesma não passará por provações e pela apostasia (coisa que
já vemos com toda essa confusão). Mas a promessa de que o inferno não
prevaleceria, nos deve fortalecer na fé de que satanás não tocará na doutrina
da Igreja, no são ensinamento – afinal, o que é proclamado de maneira
infalível, não pode ser desmentido depois. Portanto, o CVII não toca nisso. Se
dissermos que o Tudo está em pecado, que todos os Papas pós Vaticano II
(inclusive um canonizado) são antipapas, ora, você está dizendo que satanás
triunfou sobre a Igreja. E, caríssimo, isso sim é uma heresia. Afinal, no
próprio Evangelho de São Mateus, Nosso Senhor aparece aos apóstolos antes de
subir aos Céus, e diz-lhes: “Eis que
estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mateus 28,20). Se você
disser que um Concílio reunido em nome da Santíssima Trindade não foi guiado
pelo Espírito, mas sim pelo mal, e ao invés de guiar as almas para a verdade,
conduziu-as para o erro, você está dizendo que Jesus é mentiroso e abandonou os
Apóstolos (os Bispos) antes do fim do mundo. Se você disser que a Igreja está
abandonada no pós Vaticano II, você é guiado pelo mesmo espírito protestante
que faz muitos dizerem que o Espírito agia na Igreja primitiva, mas que depois
do Imperador Constantino ter acabado com a perseguição ao Cristianismo e transformando-a
na religião oficial do Império, a fé cristã se perdeu e os cristãos se
paganizaram, tendo sido recuperada, segundo eles, quando Deus levantou Lutero
(repito, segundo eles) param levar o povo a verdade. Ou seja, protestantes
acreditam que Deus deixou o povo cerca de 1300 anos no erro, para só então
levantar um homem para levar a humanidade à verdade. Bom, você, tradicionalista
que crê que a Igreja pós CVII é pagã por ensinar erros no CVII, e que nega os
Papas, etc., você crê na mesma tese: Protestantes só após Lutero; rad-trads,
por sua vez, que Deus estava no comando só até o CVII.
Ambos
estão errados. Jesus disse que estaria com os Apóstolos até o fim do mundo. O
mundo não acabou, portanto, Cristo continua com a Igreja Católica até o fim do
mundo. E é importante frisar o seguinte: Cristo prometeu que permaneceria com
os APÓSTOLOS, portanto, para ter a garantia dessa real assistência de Cristo, é
necessário estar unido aos APÓSTOLOS. Querer se negar a estar unido aos apóstolos, é negar a
própria fé católica. Infelizmente tem muitos vivendo numa gambiarra de fé
católica.
Um outro
trecho bíblico que acho importantíssimo para entendermos que o Espírito de Deus
foi quem guiou o CVII, é um trecho do Evangelho de São João:
Os pontífices e os fariseus
convocaram o conselho e disseram: “Que faremos? Esse homem multiplica os
milagres. Se o deixarmos proceder assim, todos crerão nele, e os romanos virão
e arruinarão a nossa cidade e toda a nação”. Um deles, chamado Caifás, que era
o sumo sacerdote daquele ano, disse-lhes: “Vós não entendeis nada! Nem
considerais que vos convém que morra um só homem pelo povo, e que não pereça
toda a nação”. E ele não disse isso por
si mesmo, mas, como era o sumo sacerdote daquele ano, profetizava que Jesus
havia de morrer pela nação, e não somente pela nação, mas também para que
fossem reconduzidos à unidade os filhos de Deus dispersos.” (João 11,47-52)
Portanto,
caríssimos, Deus sendo fiel à promessa feita ao povo do Antigo Testamento, o
Espírito Santo falou por Caifás. São João deixa claro que Caifás não falou
aquilo por ele mesmo, mas que profetizou. Mas no coração de Caifás, ele não
estava anunciando que o Sangue de Jesus era o Sangue do Deus que se encarnou
para salvar a humanidade. Longe disso. Em Mateus 26,65 vemos que foi o mesmo
Caifás que rasgou as vestes dizendo e condenou Jesus. Bom, mas São João afirma
que ele era guiado pelo Espírito, por ser sumo sacerdote, quando proferiu as
palavras “Nem considerais que vos convém
que morra um só homem pelo povo, e que não pereça toda a nação”. Portanto,
da mesma forma que Deus foi fiel com o povo da antiga aliança, mesmo no fim,
Ele é fiel conosco, que estamos no tempo da Nova e Eterna Aliança feita pelo
Sangue de Jesus que é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Se o
Espírito Santo inspirou Caifás, também inspira os Bispos reunidos em Concílio,
pois foi o próprio Cristo quem disse aos Apóstolos “Se dois de vós se unirem sobre a
terra para pedir, seja o que for, o conseguirão de meu Pai que está nos Céus.
Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, ai estou eu no meio deles”
(Mateus 18,19-20). Isso vale para a oração comunitária, mas muito mais
com a reunião dos Bispos do mundo com o Papa, reunidas em nome de Cristo.
No
Concílio Vaticano II os Bispos se reunirão com o Papa, e na sua abertura, São
João XXIII pedia um novo Pentecostes para a Igreja, um novo vigor, para cumprir
a missão da Igreja nestes difíceis tempos. Ora, seria possível os Bispos e os
Papas pedirem um novo vigor do Espírito Santo e, por sua vez, vir uma ação
maligna? Se sim, toda a fé fica abalada. Ou assume a graça do CVII, ou todo o
depósito da fé fica em dúvida.
Mesmo o
Concílio Vaticano II sendo Pastoral, não tendo proclamado nenhum dogma, o que
foi decidido no mesmo não afeta em nada a verdade de sempre. Afinal, todo o
problema que teve no pós concílio (como dito acima, e será mostrado nos textos
seguintes) não tem fundamentação nos textos do CVII.
Muitas
pessoas criam teorias da conspiração, citam frases fora de contexto ou que em
si mesmo não tem nexo. Há quem fale que os comunistas infiltraram milhares de
agentes dentro da Igreja anos antes do CVII, fazendo-os chegar aos mais altos
postos. Eu acredito nisso. Só que o ensinamento do CVII não fica maculado pela
existência de algum Bispo comunista. A presença dos agentes comunistas, maçons,
e demais inimigos da Igreja dentro da própria Igreja, não condena o CVII, mas
reforça a tese de que os problemas do CVII foram os ensinamentos feitos sobre o
mesmo sem citar seus documentos. Enquanto o CVII publicava um documento, muitos
dos inimigos da Igreja eram padres, professores de seminários, professores, até
Bispos, e, maliciosamente, por dentro, pegaram o CVII como uma desculpa
qualquer, e sem usar dos textos conciliares, começaram uma revolução contra a
verdade da Igreja, dentro da própria Igreja.
E mesmo
que me citem forças inimigas agindo dentro do Vaticano para corromper a Igreja
através do Vaticano II, continuarei acreditando piamente no Espírito Santo que
guiou o CVII. Afinal, no coração de Caifás ele dizia que tinham que matar Jesus
para evitar uma revolução e ter que matar mais pessoas; enquanto era o Espírito
Santo que falava por por meio dEle, dizendo que punia na carne de Jesus aquilo que
devia ser à humanidade. Ora, muitos inimigos da Igreja podem ter tentado
corromper o CVII, mas por causa da promessa de Cristo de que Ele sempre estaria
com os Apóstolos, que estes ao se reunirem em Seu nome conseguiriam do Pai o
que pedissem e Ele estaria em seu meio, a verdade prevaleceu. A intenção de
muitos era matar a fé, mas esta foi mantida. Pode até ter acontecido de que
muitos Bispos nas deliberações tenham tido más intenções, mas o resultado final
veio do Espírito. Mas, infelizmente, assim como Caifás profetizou e depois
entregou Jesus a morte, alguns dos Bispos Conciliares após participarem do momento
de graça no CVII, foram responsáveis pela morte de Jesus nos corações de tantas
pessoas, por ensinarem suas próprias ideias, e não a doutrina de sempre unida
as proclamações do CVII.
Para
finalizar, faço uma súplica para que possam ler os Documentos Oficiais do
Concílio Vaticano II para descobrir este tesouro. Se você já leu, peço que
possa fazer uma releitura, largando os preconceitos, saindo da defensiva, e
adentrando na riqueza do texto buscando conhecer a verdade. Leia os documentos
do CVII contextualizando as coisas, e julgando tudo conforme o Espírito. Peço
isso porque cada vez que leio sobre o CVII reconheço a graça de Jesus. Sim,
Jesus de fato esteve no meio daqueles Bispos reunidos com o Papa em nome dEle,
tanto é verdade que aplico ao CVII o que S. João falou de Cristo: “O
Verbo era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no
mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu. Veio para o que
era seu, mas os seus não o reconheceram” (João 1,9-13). Ou seja, o CVII
veio para iluminar os católicos, mas os seus não o reconheceram. Quantos hoje
não reconhecem o CVII? Muitos hoje perguntam como guardar a Sagrada Tradição,
como vencer o modernismo, como expandir a piedade eucarística e a devoção à
Nossa Senhora, como acabar com as profanações eucarísticas. Então, Jesus aparece
personificado como Concílio Vaticano II e diz “A quanto tempo estou convosco,
católicos, e não me conheces?”. Bom, por isso peço que possam conhecer o que o
CVII segundo ensina nos documentos, não o que você ouviu dizer. Por isso largue
por um instante os preconceitos, o que você já ouviu dos rad-trads sobre, e
leia o CVII com espírito Católico. É isso que faremos nos próximos posts.
Salve Maria
Imaculada, nossa Corredentora e Mãe!
Viva
Cristo Rei do Universo!